quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Antigo Regime e Revolução Inglesa

Col. Est. Dep. Manoel Mendonça
Prof.: Cássio Vladimir de Araújo
Série: 2º E - NOTURNO
Disciplina: História

Antigo Regime e Revolução Inglesa

• Atividades da população rural
Além das pessoas que trabalhavam direto na agricultura e na pecuária, numerosa parcela dessa população era composta de comerciantes e artífices que exerciam os mais variados ofícios, como: ferreiro metalúrgico, carpinteiro, ceramista, armeiro, moleiro, mineiro, seleiro. Havia ainda os trabalhadores das pedreiras, da construção civil, os construtores de carroças e carruagens etc. Muitos eram proprietários ou arrendatários que exploravam o trabalho dos camponeses.

• As cidades no Antigo Regime
As cidades eram, predominantemente, centros de comércio permanente ou temporário (feiras), e considerável parcela de sua população pertencia à burguesia comercial, do pequeno mercador ao grande negociante que comercializava com diferentes regiões do mundo; por esses motivos, em geral, nas grandes cidades se localizavam portos importantes.

Estamentos da sociedade do Antigo Regime
A sociedade do Antigo Regime dividia-se em três estamentos (ordens ou estados): clero, nobreza e terceiro estado. Ao clero competia praticar o ofício religioso, para conduzir os fiéis à salvação eterna; a nobreza devia garantir a defesa militar da sociedade; e ao terceiro estado cabia trabalhar para o sustento da sociedade. O clero tinha o direito de ser alimentado e defendido; a nobreza contava com as orações e com o trabalho de outros; e o terceiro estado tinha o direito de receber orações e segurança. O clero e a nobreza formavam o grupo dirigente e detentor dos privilégios: eram dispensados dos trabalhos, não pagavam impostos, eram julgados por tribunais especiais e ocupavam os cargos mais elevados do Estado. O terceiro estado era excluído das decisões políticas, não desfrutava de privilégios e, além de trabalhar, devia pagar tributos.

Conseqüências da divisão em estamentos
A divisão em estamentos criou uma sociedade caracterizada pela desigualdade entre as pessoas, havendo poucos meios de acesso de um estamento a outro; uma das possibilidades era o ingresso de membros do terceiro estado no clero. A desigualdade estava presente em, praticamente, todos os aspectos da vida cotidiana (vestuário, alimentação, diversas atividades culturais), marcados pelos contrastes entre suntuosidade e fartura dos ricos e simplicidade e carência dos pobres.

• Absolutismo
O absolutismo monárquico resultou do fortalecimento dos governos das monarquias nacionais e significativa a concentração de toda autoridade e poder na figura do rei, que se tornou a fonte suprema dos poderes do Estado.

• O Rei
A “fonte” da autoridade do rei era Deus. Fazendo uma comparação do Estado com o Corpo Humano, o rei era a cabeça, à qual competia deliberar e resolver; os demais membros da sociedade formavam o corpo, que devia obedecer e executar as ordens recebidas.

• Hobbes e Bossuet explicam o poder absolutista
O filósofo inglês Thomas Hobbes considerava que, nas sociedades primitivas, “o homem era o lobo do próprio homem”, isto é, cada um lutava pela sobrevivência olhando apenas para seus interesses individuais. Essa situação, segundo ele, justificava o poder absoluto do governante como condição necessária à paz e ao progresso da sociedade, pois só esse poder, por meio do estabelecimento de um “contrato social” (no qual cada um deveria renunciar à sua liberdade em favor de um governo absoluto), seria capaz de garantir a ordem, a direção e a segurança do convívio social. Para Bossuet, o rei era predestinado por Deus para governar, e seu poder, sendo de origem divina, era absoluto.

REVOLUÇÃO INGLESA

• Dinastia Tudor
A dinastia Tudor governou a Inglaterra de forma absoluta, com o apoio da burguesia e da nobreza rural(gentry), que, nessa época, tinham interesses comuns com a monarquia absolutista (demonstrados pela adoção de algumas medidas por parte da monarquia inglesa): centralização do poder político como garantia da ordem social; uniformização das moedas, do sistema de pesos e medidas e das tarifas para facilitar o comércio; permissão para que os corsários atacassem navios inimigos; e incentivo à expansão marítima e comercial. A Igreja Anglicana, controlada pelo Estado, participava do jogo de interesses, adotando a ética religiosa calvinista que estimulava o trabalho metódico, a eficiência, a poupança e a acumulação de riquezas, princípios mais adequados aos valores burgueses.

• Pretensões dos Stuart
Pretendiam exercer um absolutismo de direito, reconhecido jurídicamente, com o que nem a burguesia nem a gentry concordavam, verificando-se o choque entre o rei e o parlamento (que era dominado por representantes desses dois grupos).

• Monarquia e Igreja no período dos Stuart
O rei, por meio de uma legislação rigorosa, estabeleceu que a Igreja Anglicana deveria valorizar a forma litúrgica católica (que fora mantida) em vez do conteúdo calvinista. A burguesia, descontente, manteve-se fiel aos princípios calvinistas e fundou novas seitas, entre elas a presbiteriana. Os presbiterianos, chamados de puritanos, queriam uma Igreja desligada do poder do Estado.

• Petição de Direitos
Petição de Direitos foi uma medida baixada pelo parlamento inglês, por meio da qual se estabeleciam limites ao poder do rei, que não poderia mais criar impostos, convocar o exército ou mandar prender pessoas sem prévia autorização do parlamento. Após sua decretação, o rei Carlos I reagiu fechando o parlamento e perseguindo os líderes políticos que lhe faziam oposição. Em 1640, o rei viu-se obrigado a convocar o parlamento com o fim de obter recursos financeiros para combater uma revolução escocesa contra seu governo; os parlamentares, uma vez reunidos, adotaram medidas limitando o poder do rei (por exemplo, uma lei que proibia o monarca de dissolver o parlamento, que passaria a ser, obrigatoriamente, convocando pelo menos uma vez em cada três anos). Esses acontecimentos acabaram por desencadear a Revolução Inglesa.

• Etapas principais da Revolução Inglesa

Guerra Civil (1642-1648);
Regime Republicano (1649-1659);
Restauração Monárquica (1660-1688)
Revolução Gloriosa (1688-1689)

• Fim da Guerra Civil Inglesa no Séc. XVII
Terminou com a vitória do Parlamento; o rei Carlos I foi preso e condenado à morte, sendo decapitado em 30 de janeiro de 1649. Oliver Cromwell assumiu o poder e instalou uma república ditatorial – o protetorado -, governando de 1649 a 1658.

• Característica do período republicano
A república de Cromwell foi caracterizada por: formação da Comunidade Britânica, com a unificação em uma só república da Inglaterra, Irlanda, Escócia e País de Gales; política de favorecimento da marinha inglesa, visando dominar o comércio marítimo, concretizada pela decretação do Ato de Navegação em 1641 (que determinava que o transporte de todas as mercadorias importadas ou exportadas deveria ser feito por navios ingleses); concorrência comercial com a Holanda, acarretando uma guerra entre os dois países (1652-1654), vencida pela Inglaterra, que se tornou a maior potência do mundo; hereditariedade do cargo de Lorde Protetor, assumido por Cromwell em 1653.

• Revolução Gloriosa
A Revolução Gloriosa iniciou-se como reação à tentativa do rei Jaime II, da dinastia Stuart, de restabelecer o absolutismo. O parlamento inglês estabeleceu um acordo com o príncipe holandês Guilherme de Orange (Casado com Maria Stuart, filha de Jaime II), que assumiria o trono desde que respeitasse os poderes do parlamento; o monarca inglês foi derrotado e o príncipe assumiu o trono com o título de Guilherme III, com poderes limitados em vários aspectos.

• A Declaração dos Direitos (1689)
A Declaração dos Direitos estabelecia a limitação dos poderes do rei pelo parlamento, isto é, a superioridade da lei sobre a vontade do rei, pondo fim ao absolutismo.

• O fim do absolutismo
O estabelecimento de relações entre o rei, a burguesia e parte dos senhores rurais (a gentry), o que criou condições para que o capitalismo se desenvolvesse mais cedo, promovendo o avanço das forças burguesas e liberais.

Fonte Bibliográfica:
COTRIM, Gilberto, História Global – Brasil e Geral, volume único, 8ª ed. São Paulo: Saraiva, 2005.

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